A Igreja Católica celebra na segunda-feira após Pentecostes a memória de Nossa Senhora como Mãe da Igreja. A celebração é recente no calendário litúrgico universal, mas possui raízes profundas na tradição cristã e nos documentos oficiais da Igreja.
A memória foi instituída pelo Papa Francisco em 3 de março de 2018, por meio do decreto Ecclesia Mater. A data escolhida destaca a presença de Maria junto aos Apóstolos após a Ressurreição de Cristo e no acontecimento de Pentecostes.
Segundo o Pe. Pablo Moreira, C.Ss.R., a celebração recorda a missão espiritual de Maria na vida da Igreja.
“Maria não é apenas mãe da cabeça do Corpo, que é Cristo, mas também dos membros desse Corpo, que é a Igreja. Então, Maria é Mãe da Igreja.”
A relação entre Maria e a Igreja aparece de forma clara nas Escrituras. No Evangelho de São João, durante a crucifixão, Jesus entrega sua Mãe ao discípulo amado: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19,26). Logo depois, Cristo diz ao discípulo: “Eis aí tua mãe” (Jo 19,27).
Para a tradição católica, esse gesto ultrapassa a relação pessoal entre Maria e João. Compreende-se que ali Maria foi entregue espiritualmente como Mãe de toda a Igreja.
Maria, presente da Encarnação a Pentecostes
A presença de Maria acompanha momentos centrais da história da salvação. Ela participa do mistério da Encarnação, quando aceita ser a mãe do Salvador (Lc 1,38), permanece fiel aos pés da cruz e também aparece reunida com os Apóstolos em Pentecostes.
O livro dos Atos dos Apóstolos relata: “Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com algumas mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus” (At 1,14).
O missionário redentorista destaca que essa presença manifesta a unidade entre Maria e a missão da Igreja nascente.
“Maria está vivamente presente do mistério da Encarnação ao mistério da Redenção. Em Pentecostes, ela está unida aos Apóstolos e, com eles, clama pelo Espírito Santo.”
O que diz a Igreja sobre Maria, Mãe da Igreja?
O tema aparece no capítulo VIII da Lumen Gentium, documento promulgado durante o Concílio Vaticano II. O texto apresenta Maria unida intimamente à missão de Cristo e da Igreja. No número 53, a Constituição afirma que Ela é “verdadeiramente mãe dos membros de Cristo”.
Durante a promulgação da Lumen Gentium, em 1964, o Papa São Paulo VI proclamou oficialmente Maria como “Mãe da Igreja”. Décadas depois, o Papa Francisco reforçou esse título ao inserir a memória no calendário romano universal.
O decreto Ecclesia Mater explica que a celebração busca “favorecer o crescimento do sentido materno da Igreja” nos pastores, religiosos e fiéis.
Por que a memória é celebrada após Pentecostes?
A escolha da segunda-feira após Pentecostes possui um significado espiritual. Pentecostes marca o nascimento missionário da Igreja pela ação do Espírito Santo. Maria aparece no centro dessa experiência de oração e comunhão.
Para a Igreja, a memória reforça que a Virgem Maria continua acompanhando espiritualmente o povo de Deus.
“Maria é Mãe da Igreja e, do Céu, intercede por nós, que somos Igreja, povo de Deus”, afirma Pe. Pablo.
A celebração também convida os fiéis a contemplarem Maria como modelo de escuta, oração e fidelidade ao Evangelho.
Fonte- A12
