Dom Francisco de Sales Alencar Batista, O. Carm.
Por mercê de Deus e da Sé Apostólica, Bispo de Mossoró
Aos Sacerdotes, Diáconos, Religiosos e Religiosas e Cristãos Leigos e Leigas, por ocasião do anúncio e início da visita pastoral na Diocese de Santa Luzia.
Carta Visita Pastoral – Dom Francisco
“Desejo vivamente ver-vos…” (Rm 1,11)
COMPARTILHAR A FÉ QUE NOS UNE
“Desejo vivamente ver-vos, para compartilhar convosco algum dom espiritual, a fim de serdes confirmados, isto é, para ser consolado juntamente convosco, por meio da fé comum, vossa e também minha” (Rm 1,11-12).
Estas palavras do Apóstolo São Paulo, ao programar sua visita à comunidade de Roma, estão radicadas em nosso coração de Pastor e motivam a realização da visita pastoral em nossa Diocese de Santa Luzia. Nelas, podemos contemplar a atitude fundamental que deve moldar nossos sentimentos e mover os nossos passos ao encontro, à escuta e à partilha da fé que recebemos como herança e sinceramente professamos. Esta fé nos estimula, como discípulos e discípulas do Senhor, ao anúncio e testemunho da Boa-Nova da salvação, enquanto formamos a Igreja, povo santo do Senhor.
Nesta perspectiva, a visita pastoral deve ser acolhida, primariamente, como um encontro entre o pastor e o seu rebanho, como um abraço movido pela “fé comum” que professamos e juntos somos chamados a testemunhá-la. Na vivência da fé, cada um é chamado a assumir a sua vocação e missão como membro do Corpo Místico de Cristo, em espírito de comunhão e sinodalidade. A visita não se resume a uma mera inspeção burocrática de processos pastorais e administrativos, mas se constitui como uma experiência de escuta mútua, discernimento eclesial comunitário e corresponsabilidade em prol da missão evangelizadora.
Carta Visita Pastoral – Dom Francisco.pdf
VIVER A ALEGRIA DO ENCONTRO
Desde a nossa chegada à Diocese, em fevereiro de 2024, experimentamos a alegria de percorrer todo o vasto território de nossa Igreja Particular. Essas visitas foram motivadas pelo desejo de conhecer de perto as pessoas e a realidade pastoral de cada lugar. Fizemo-nos presentes na celebração das festas patronais, na administração do sacramento da confirmação e em outras datas significativas, como as ordenações de novos presbíteros e romarias.
Destacamos, de modo especial, os intensos encontros para a instalação das Áreas Missionárias. Fruto da escuta do povo e das indicações do nosso Plano Diocesano de Pastoral, essas áreas proporcionam hoje uma melhor configuração da “geografia pastoral” de nossa Diocese.
Nessas visitas, encontramo-nos com o povo fiel e pudemos apreciar a beleza, a vitalidade e a diversidade de nossas paróquias e comunidades. Experimentamos a força de uma fé traduzida em afeto, num primeiro e recíproco abraço entre o pastor e o seu rebanho. Tivemos também a oportunidade de estabelecer um contato mais direto com as comunidades religiosas e os diversos segmentos de pastorais, movimentos e serviços. Além disso, aproximamo-nos dos cristãos leigos e leigas engajados na ação pastoral, por meio do diálogo com suas coordenações e comissões. Desse processo, cresceu e solidificou-se em nós o sentimento de pertença e o amor a esta porção do Povo de Deus, cuja missão assume feições singulares em nossa Igreja Particular.
Neste contexto, insere-se a visita pastoral, que assume um significado particular: o Bispo conecta-se mais profundamente com a vida cotidiana da comunidade por ele visitada. Confronta-se com as alegrias e as tristezas, com as incertezas e as esperanças que marcam o compasso da caminhada eclesial. Encoraja os batizados e agentes pastorais a não se deixarem atemorizar pelas adversidades. Fortalece com a graça dos sacramentos o caminho do discipulado missionário e busca aquecer o coração e iluminar o olhar de todos através do anúncio do santo Evangelho.
CONSTRUIR JUNTOS UM SONHO PASTORAL
A expressão do nosso rosto eclesial em construção foi bem retratada em nosso Plano Diocesano de Pastoral, construído por meio de um processo participativo que buscou envolver todos os sujeitos da vida eclesial. A consolidação paciente de nosso sonho pastoral exige de todos nós, pastores e ovelhas, a disposição de nos colocarmos a caminho, de mãos dadas, confiando no itinerário que juntos desenhamos sob o impulso renovador do Espírito Santo. Ninguém pode se colocar à parte, nem tampouco delegar a outrem a responsabilidade pelos passos que precisamos dar. Cabe-nos a decisão e a coragem nos abrirmos à conversão de nossas relações, vínculos e processos, concretizando em nossa Igreja Particular as indicações do Sínodo sobre a Sinodalidade.
Tendo em vista o caminhar de nossos processos pastorais e sua consolidação, decidimos, a partir do segundo semestre de 2026, dar início às visitas pastorais em nossa Diocese, conferindo-lhes um caráter nitidamente sinodal e missionário. Por isso, dirigimo-nos a todos com o intento de animá-los a preparar esse momento com diligente atenção. Unamos as forças vivas de nossas paróquias, quase-paróquias e áreas missionárias, para que cada comunidade possa viver e celebrar com intenso ardor o tempo da visita. Que ela seja acolhida como ocasião propícia para exprimir a comunhão que nos une em uma só Igreja, comprometendo-nos a colher como fruto uma ativa renovação da vida e da pastoral em cada realidade.
Fazemos saber que este evento de graça não deve ser considerado um peso para a comunidade que acolhe, mas um momento de profunda experiência de comunhão eclesial para o qual todos estão convocados. O Bispo que visita não é o “senhor da fé” da comunidade, mas um “servo e colaborador de sua alegria” (cf. 2Cor 1,24). Por isso, a ocasião deve ser vivida intensamente por todos, na alegria e na serenidade, sem preocupações excessivas que interfiram na dinâmica específica e no bem espiritual do tempo de visita.
CHAMAR À CONVERSÃO
Por isso, com afeto paterno e pastoral, dirigimo-nos aos sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas, leigos e leigas das diversas pastorais, movimentos e serviços, e a todos os fiéis batizados de nossas paróquias, quase-paróquias e áreas missionárias. Nosso intuito é encorajá-los na preparação e vivência da visita pastoral em nossa Diocese. Esta visita deve ser acolhida como um tempo de graça para confirmar, animar, renovar e revigorar nossas comunidades. É ocasião propícia para que, juntos, respondamos ao chamado a uma urgente e permanente conversão pastoral e missionária, que, neste tempo, nos pede para abraçar a sinodalidade como identidade de nossa Igreja e estilo de nosso agir.
Recordamos que, para cada batizado, a visita constitui-se como oportunidade de reavivar o sentido de pertença à comunidade eclesial, consolidar a própria fé e manifestar a comunhão fraterna. É, igualmente, ocasião para despertar a consciência sobre a necessidade de colaboração, inserção comunitária e corresponsabilidade entre os membros do Corpo de Cristo. Além disso, a visita oferece uma oportunidade singular para avaliar a caminhada comunitária. Isso inclui: verificar as opções pastorais implementadas; averiguar a eficácia de suas organizações e estruturas; avaliar a sintonia de cada paróquia com o Plano Diocesano de Pastoral e as instâncias de comunhão; e dialogar sobre o dinamismo da administração, a aplicação das diretrizes em vigor e a transparência de todos os processos.
EXERCITAR A CARIDADE PASTORAL
A visita pastoral é uma ação apostólica que o Bispo cumpre animado pela caridade pastoral, que o constitui como princípio e fundamento visível da unidade na Igreja Particular. Para as comunidades e instituições que a acolhem, a visita é um acontecimento de graça. Ela reflete, em certa medida, aquela especialíssima visita com a qual o “supremo Pastor” (1Pd 5,4) e guardião de nossas almas (cf. 1Pd 2,25), Jesus Cristo, visitou e redimiu o seu povo (cf. Lc 1,68). Ao se fazer presente, o Bispo busca fomentar o espírito de comunhão eclesial entre todos, promovendo a vida espiritual e impulsionando a ação evangelizadora.
Conforme orienta o Diretório para o Ministério Pastoral dos Bispos, a visita pastoral é uma prática consagrada pelos séculos que permite ao pastor manter contato direto com o clero e o povo. Trata-se de uma oportunidade preciosa para revigorar as energias dos operários do Evangelho, oferecendo-lhes reconhecimento, encorajamento e consolo. É também um momento oportuno para convocar os fiéis à renovação da vida cristã e a um compromisso apostólico mais intenso. Além disso, a visita permite ao Bispo avaliar a eficácia das estruturas e dos instrumentos pastorais, conhecer de perto os desafios da evangelização e, assim, definir com mais clareza as prioridades e os rumos da pastoral orgânica. (Cf. AS, n. 220)
PROMOVER A SINODALIDADE
Associada à perspectiva da sinodalidade, a visita pastoral deve ser acolhida como uma oportunidade para colocar em prática a dinâmica da escuta ativa, a partir do contato direto com a realidade de cada território e do encontro com sacerdotes, organismos de participação, famílias, jovens e demais fiéis. É também o momento de nos confrontarmos com as práticas de discernimento comunitário e corresponsabilidade na tomada de decisões, bem como na construção dos projetos e escolhas pastorais. Constitui-se como um tempo favorável para promover o impulso missionário de cada comunidade, chamada a configurar-se como Igreja em saída.
A nossa visita pastoral, organizada em dinâmica sinodal, pressupõe um tempo de preparação orante e participativa que envolve toda a comunidade; a vivência dos vários momentos de celebração, encontro, escuta e partilha; a construção de indicações para que a comunidade possa responder aos desafios pastorais e administrativos; e, por fim, um tempo posterior para a avaliação do que foi programado e realizado nos dias da visita.
ANIMAR O ARDOR MISSIONÁRIO
Nos passos de Jesus, o missionário do Pai, e no compasso da missão que moveu a comunidade dos discípulos do Senhor, queremos realizar a nossa visita pastoral em todo o território diocesano. Como impulso para a vivência do seu Plano Pastoral, nossa Igreja abraçou o firme propósito de embarcar em “um caminho de memória, profecia e esperança”. Nutrida pelo desejo de ser uma “Igreja peregrina, samaritana e missionária”, ela não hesita em colocar-se a caminho, revestida de intenso zelo evangelizador, desejando encontrar os sedentos e feridos para oferecer-lhes a água viva e o unguento da caridade que cura, comunicando-lhes a alegria do Evangelho da vida.
Sob o impulso sempre criativo do Espírito Santo, a visita pastoral nos convida a romper com a rotina e a ousar fazer diferente, agindo com audácia e inovação. Afinal, continua imperativo o apelo do Papa Francisco para “avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão” (EG, 25). Não somos convocados apenas a restaurar o antigo, mas a permitir que o Espírito, em seu perene dinamismo, suscite o novo. É nessa novidade, que nos renova e nos capacita a responder aos desafios de nossas paróquias e comunidades com novos estímulos e práticas pastorais, que se insere a realização da visita pastoral.
Conforme nos ensina o Papa Francisco, é missão do Bispo “favorecer sempre a comunhão missionária na sua Igreja diocesana, seguindo o ideal das primeiras comunidades cristãs, em que os crentes tinham um só coração e uma só alma (cf. At 4,32). Para isso, às vezes pôr-se-á à frente para indicar a estrada e sustentar a esperança do povo, outras vezes manter-se-á simplesmente no meio de todos com a sua proximidade simples e misericordiosa e, em certas circunstâncias, deverá caminhar atrás do povo, para ajudar aqueles que se atrasaram e sobretudo porque o próprio rebanho possui o olfato para encontrar novas estradas” (EG, 31).
A visita pastoral exprime perfeitamente essa postura do pastor. Como servo do Espírito Santo, que é o princípio e o artífice da unidade, o Bispo se faz instrumento de comunhão em sua Igreja particular, promovendo a abertura e a integração de todas as forças vivas que sustentam a ação pastoral e evangelizadora.
FORTALECER A COMUNHÃO
A visita pastoral será para o Bispo uma oportunidade de agradecer pessoalmente pelo trabalho pastoral e de evangelização realizado em cada paróquia, quase paróquia ou área missionária visitada, além de ser um estímulo importante para despertar o sentido da comunhão de todos os batizados com a Diocese. O Bispo é chamado a ser o primeiro entre os servidores dessa comunhão, que acolhemos como dom e responsabilidade comum a todos. Alcançamos esta comunhão mediante o fortalecimento dos laços de união com Cristo e de uns para com os outros. Quando o Bispo está presente, ele traz a Diocese consigo, não somente por meio das estruturas administrativas, mas, sobretudo, no espírito que juntos respiramos enquanto formamos um único povo que, inserido nesta porção da Igreja, caminha unido na mesma fé, esperança e caridade.
A visita pastoral é também o momento para contemplarmos juntos a face da Igreja como “casa e escola de comunhão” (NMI, 43) encarnada em cada realidade. Essa comunhão se alicerça no diálogo amoroso do Deus Trindade que, no mistério da encarnação de Jesus, alcançou e incluiu cada pessoa. Como Pastor, o Bispo é chamado a ser o primeiro servidor e promotor dessa unidade eclesial, construída a partir da disposição de todos em caminhar juntos, participando ativamente da vida e missão da comunidade. A visita é tempo privilegiado para o encontro. É o momento de experimentar a beleza de caminhar juntos, celebrar a graça de formarmos uma única família e reafirmarmos a força transformadora do diálogo entre pessoas, grupos e instituições. Esta é uma ocasião para reconhecer cada comunidade em sua singularidade, como uma construção de pedras vivas, e de abraçar cada paróquia como lugar onde a diversidade de rostos humanos se encontra para viver, compartilhar, celebrar e testemunhar a própria fé.
Por isso, para além das formalidades prescritas, a visita pastoral é feita de contatos pessoais: com os padres, religiosos, religiosas e os leigos engajados, com os mais vulneráveis, mas também com aqueles que estão afastados ou indiferentes à vida eclesial. Trata-se de um momento em que ocupam lugar especial a escuta, o diálogo, a avaliação e a animação daqueles que atuam e contribuem ativamente para a missão da Igreja. É a ocasião de sentir de perto os desafios, verificar a sintonia da caminhada pastoral com as Diretrizes da Ação Evangelizadora e com o Plano Diocesano de Pastoral, bem como acompanhar a atuação concreta dos organismos de comunhão e participação. A partir desse contato direto com as estruturas paroquiais e seu dinamismo, busca-se discernir caminhos novos para superar obstáculos, visando sempre ao fortalecimento da fé e à eficácia do testemunho de todo o Povo de Deus.
Neste horizonte, a visita pastoral constitui também uma ocasião privilegiada para acolher e concretizar, em nossa Igreja Particular, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026–2032. Ao nos convidarem a evangelizar como Igreja sinodal, sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos, em comunidades de discípulos missionários, as Diretrizes nos recordam que a comunidade é lugar indispensável para a experiência, o amadurecimento e o testemunho da fé. A visita deverá, por isso, favorecer o discernimento acerca da vitalidade de nossas comunidades e impulsionar o seu fortalecimento, para que sejam cada vez mais espaços de escuta da Palavra, celebração da fé, comunhão fraterna, pertença e corresponsabilidade, serviço aos irmãos e permanente saída missionária.
Assim, ao visitar cada Paróquia, Quase-Paróquia e Área Missionária, desejamos também encorajar a formação e o fortalecimento de comunidades vivas, acolhedoras e missionárias, capazes de formar e acompanhar discípulos missionários de Jesus Cristo e de testemunhar o Evangelho nos diversos territórios e ambientes de nossa Diocese. (Cf. DGAE 2026–2032, nn. 116–122).
PREPARAÇÃO REMOTA
Dada a sua importância na caminhada da nossa Igreja local, “a visita pastoral, programada com a devida antecedência, requer adequada preparação dos fiéis” (AS, 222). Por isso, acentuamos a necessidade de acolher e difundir o “espírito” da visita em cada comunidade, explicando seu sentido teológico, litúrgico e pastoral a partir desta carta e de outros subsídios que serão preparados. Dentro de suas possibilidades e criatividade, cada comunidade pode utilizar diversos meios para vivenciar este tempo de conscientização sobre o significado da visita.
Ao receber o anúncio da visita pastoral, a paróquia é convidada a mobilizar e engajar todas as pastorais, movimentos e serviços na preparação espiritual e comunitária. O objetivo é que cada fiel acolha a visita como um verdadeiro momento de graça e um acontecimento eclesial que diz respeito a todos, sem exceção.
Aconselha-se a preparação de algumas catequeses, envolvendo a paróquia e suas comunidades, nas quais sejam tratados temas como: a natureza e missão da Igreja; a missão do Bispo; a comunhão eclesial e a sinodalidade; as diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil; os desafios da missão no tempo presente; a história da paróquia e a memória daqueles que a construíram com o seu testemunho. Para isto, é fundamental o uso criativo dos meios de comunicação de que a comunidade dispõe.
Convém cultivar no coração dos fiéis a expectativa da visita, dedicando tempo à preparação espiritual por meio da oração composta para a visita pastoral e outros exercícios de piedade. É desejo nosso que essa oração possa ecoar em comunhão nas celebrações litúrgicas, no ambiente dos encontros pastorais, na intimidade dos lares e na vida das comunidades. Assim, ao rezar com um só coração e uma só alma, fortalece-se o espírito de unidade, de modo que todos possam se abrir à graça do tempo propício da visita.
Seria oportuna a celebração de uma assembleia paroquial extraordinária ou um encontro pastoral que envolva todas as lideranças da Paróquia, com a finalidade de estudar e organizar a realização da Visita. A coordenação diocesana para as Visitas Pastorais poderá acompanhar este processo para a definição da programação em cada realidade. É fundamental não esquecer o envolvimento da totalidade do Povo de Deus e o respeito à singularidade de cada comunidade, para que ninguém se sinta excluído da visita e possa contribuir com ela e colher os seus frutos.
Nesta etapa, é importante animar os missionários da paróquia a se entusiasmarem pela realização da visita pastoral, oferecendo-lhes momentos de formação missionária. É oportuno planejar um tempo de missão como parte da preparação, com visitas domiciliares, animação, encontros e celebrações. Os missionários são estimulados a sair ao encontro das pessoas, para além dos espaços e dos ritmos comuns onde a vida de fé acontece. Desse modo, a comunidade é chamada a alargar o passo até as “periferias existenciais e geográficas” que clamam pela presença efetiva e pelo testemunho dos discípulos do Senhor. A partir da cultura do encontro cultivada no tempo da visita, podem-se “abrir estradas novas para o anúncio do Evangelho” (Papa Francisco).
A PREPARAÇÃO IMEDIATA
O Pároco elaborará um relatório, a partir de um modelo preparado para as visitas, com os dados necessários a serem oferecidos para o conhecimento do Bispo Diocesano. Na compilação deste relatório, é fundamental que sejam envolvidos os Conselhos da Paróquia, como também as lideranças das comunidades, a fim de que se ofereça um quadro real da situação pastoral e administrativa da Paróquia visitada. A elaboração do relatório é também uma ocasião para uma revisão objetiva da caminhada da comunidade paroquial e oportunidade para dar novo impulso à missão.
Como parte da preparação imediata o Vigário Forâneo realizará uma visita, com o intuito de averiguar os passos da preparação e incentivar a Paróquia para a vivência da visita pastoral. Membros dos departamentos da Cúria Diocesana também farão uma visita para tratar da situação administrativa da Paróquia e fazer a verificação dos registros paroquiais. Um relatório deverá ser apresentado ao Bispo Diocesano sobre o estado da administração da Paróquia com as devidas anotações a serem observadas.
O Pároco ou Administrador, em concordância com o Bispo Diocesano, conclui a elaboração do programa da visita e o itinerário das diversas atividades a serem realizadas. O Cerimoniário designado organizará as principais celebrações e encontros, a partir das indicações do Ritual próprio, preparado para as Visitas Pastorais.
ONDE E A QUEM SE FAZ A VISITA
O encontro com pessoas ocupa a primazia no tempo de visita. É um tempo para ouvir, dialogar, encorajar; é um tempo para compreender melhor as dificuldades e as lacunas e, acima de tudo, é uma oportunidade única para renovar e revitalizar as comunidades paroquiais. Conforme consta no Diretório para os Bispos, durante a visita pastoral, o Bispo “exerce mais perto do seu povo o ministério da palavra, da santificação e da orientação pastoral, em contato direto com as ansiedades e preocupações, as alegrias e expectativas do povo, com a possibilidade de exortar todos à esperança” (AS, 220).
Estão sujeitos à visita pastoral, de forma ordinária “pessoas, instituições católicas, coisas e lugares sagrados que se encontram no âmbito da Diocese” (can 397,1) e fazem parte da Paróquia visitada ou estão a ela relacionadas. São incluídas na visita as casas religiosas de direito diocesano, novas comunidades e associações. “O Bispo também pode visitar os membros dos institutos religiosos de direito pontifício e suas casas” (c.397,2), salvaguardando as limitações indicadas pelas normas canônicas no que se refere às Igrejas e oratórios pertencentes a tais Institutos (c.615; c.628, 2; cc. 637 e 683).
A visita pastoral abraça a todos na comunidade: leigos e leigas, religiosos e religiosas, bem como as autoridades e aqueles que se dedicam ao serviço do bem comum. Dedica um tempo especial ao encontro com as crianças, adolescentes e jovens em sua caminhada catequética. O Bispo reservará um olhar de profunda atenção às pessoas e famílias fragilizadas, provadas ou enfermas, para que, por meio de sua presença, todos possam experimentar a ternura, a compaixão e a proximidade reconfortante de Cristo e da Igreja. A Visita também representa a oportunidade para as Pequenas Comunidades Eclesiais serem confirmadas e encorajadas no caminho que percorrem, para não desanimarem diante das inevitáveis dificuldades na missão.
O Bispo também visita as instituições católicas presentes no território da Paróquia, tais como: colégios, creches, asilos, casas de acolhimento, etc. Verifica o estado e o cuidado dos utensílios de culto, alfaias, relíquias ou imagens. Averigua a situação da administração dos bens temporais eclesiásticos, dos legados pios e o cumprimento de suas finalidades (c 1301,2). Examina os registros paroquiais: livro de tombo, de batismo, confirmação e matrimônio e o estado do arquivo paroquial (c. 535,4). Visita os lugares sagrados: Igrejas, oratórios e capelas abertas aos fiéis e as obras apostólicas a estes vinculados.
A VISITA PASTORAL PASSO A PASSO
Durante a Visita, é importante organizar encontros com todos aqueles que, junto ao pároco, dinamizam a vida paroquial em suas diversas atividades. Este momento com os agentes pastorais configura-se, essencialmente, como um “conselho pastoral alargado”, reunindo os envolvidos na formação da fé, liturgia e caridade, além de representantes dos serviços paroquiais, grupos e movimentos. Será um espaço para rezar, promover o conhecimento mútuo e refletir em conjunto.
Por se tratar do coração pulsante que une a comunidade eclesial, o ponto alto da visita é a Missa celebrada pelo Bispo diocesano, tanto na Igreja Matriz quanto nas capelas das comunidades. A Eucaristia é a “fonte e o ápice” da vida cristã. Na vida paroquial, ela é o centro gerador de onde emanam o amor fraterno, o acolhimento e a missão evangelizadora. A Santa Missa reúne a comunidade para celebrar o memorial da morte e ressurreição de Cristo, fortalecendo os fiéis para viverem o Evangelho no cotidiano. Encorajamos todos a participarem ativa e frutuosamente na celebração da Eucaristia. A Missa na visita pastoral tem caráter de solenidade, prevalecendo, por isso, sobre a maior parte das outras celebrações litúrgicas ordinárias.
Para além da celebração da Eucaristia, ali onde as circunstâncias o permitirem, queremos promover um espaço de encontro fraterno com toda a comunidade paroquial. Desejamos que este seja um momento alegre de proximidade, partilha e corresponsabilidade. Será uma oportunidade para escutar com amor, acolher com carinho as inquietações dos corações e dialogar abertamente sobre tudo o que envolve a vida da paróquia e da nossa Igreja.
No tempo da visita pastoral assume um valor profundo o encontro de partilha sincera e diálogo fraterno entre o Bispo e os sacerdotes da paróquia. Mais do que um ato formal, a visita é uma expressão viva da fraternidade sacramental que une estreitamente o Bispo aos seus presbíteros e diáconos. É um momento propício para fortalecer os laços que nos unem a todos no serviço e na comunhão da nossa Igreja diocesana.
A programação destas atividades será preparada com zelo pelo Pároco ou Administrador Paroquial, buscando harmonizar as exigências próprias da visita com a realidade e as necessidades locais. Dedicar-se-á um cuidado todo especial à visita às comunidades, bem como aos encontros com os diversos organismos, lideranças e pastorais que doam sua vida e dão testemunho no seio da nossa comunidade paroquial.
AVALIAÇÃO E RELATÓRIO DA VISITA
A terceira fase da visita dedica-se à avaliação. Para isso, é fundamental a redação da ata oficial da visita pastoral, registrando o seu desenvolvimento, os momentos marcantes e as orientações deixadas pelo Bispo.
Posteriormente, em reunião do Conselho Pastoral Paroquial, este documento servirá de base para avaliar a caminhada e refletir sobre como aplicar, no dia a dia da paróquia, os frutos e as diretrizes nascidos da experiência da visita.
Nessa tarefa, o Vigário Forâneo poderá oferecer um valioso apoio ao pároco/administrador e ao Conselho, auxiliando, inclusive, na articulação com as instâncias diocesanas para viabilizar os processos e iniciativas sugeridos nas escutas durante a visita. A partir da experiência vivida, serão discernidos os compromissos que a Paróquia precisa assumir como resposta aos estímulos recebidos.
O Bispo diocesano, em sintonia com a sua equipe de assessoria, avaliará os frutos colhidos durante a Visita e oferecerá um relatório pastoral. Este documento oferecerá orientações pastorais para animar a caminhada da Paróquia, fortalecendo a sintonia de sua caminhada com as Diretrizes da Ação Evangelizadora e o Plano Diocesano de Pastoral e encorajando a comunidade a assumir, com renovada responsabilidade, o compromisso com um autêntico caminho de conversão pastoral.
É oportuno que este processo avaliativo seja retomado, posteriormente, no âmbito das Foranias. Assim, os frutos colhidos na visita pastoral continuarão a pulsar, gerando um dinamismo permanente de renovação e conversão em nossas paróquias e comunidades.
PROSSEGUIR NA ESPERANÇA
Unamo-nos em oração para que o Espírito do Senhor nos inspire atitudes e palavras fecundas, capazes de encorajar a vida cristã pessoal e comunitária em nossas paróquias. Que Ele nos conceda o dom de anunciar com entusiasmo a Boa-Nova da salvação, respondendo aos desafios destes tempos de mudança. Expressamos nossa profunda gratidão aos sacerdotes, consagrados e fiéis leigos que, no dia a dia, sustentam com amor e dedicação o serviço pastoral de nossa Igreja particular, em suas mais diversas realidades.
Ao nos prepararmos com alegre expectativa para a visita pastoral, peçamos a Jesus, o Bom Pastor, que nos preceda, conduzindo-nos em nosso caminhar. Acolhamos este tempo de graça, sensíveis à ação do Espírito Santo, como ocasião para despertar em nosso povo a beleza da graça batismal, renovar o ardor pelo Evangelho, fortalecer a comunhão eclesial e reascender o zelo pela missão evangelizadora. Abramos de par em par portas de nossas comunidades, de nossas famílias e, sobretudo, dos nossos corações para acolher a visita como oportunidade para “alargar a tenda” de nossa Igreja para acolher a novidade que brota do encontro com o Senhor que nos visita e “faz novas todas as coisas”. (cf. Ap 21,5).
Que a Santa Mãe do Salvador e nossa Mãe, “estrela da evangelização sempre renovada” (EN, n.82), em quem contemplamos a perfeita imagem da Igreja, brilhe “como sinal de esperança segura e de consolação” (LG 68), enquanto peregrinamos na esperança rumo à plenitude do Reino. Que o seu encontro com Isabel inspire o dinamismo de nossa visita pastoral, e a sua peregrinação na fé seja referência para a nossa caminhada eclesial. Como Ela, deixemo-nos guiar pelo Espírito, para realizarmos a missão que o Senhor nos confiou, em fecunda e criativa fidelidade.
Concedemos de coração a nossa bênção pastoral a todos os sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e fiéis leigos de nossa Diocese, confiando os frutos desta visita pastoral à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja e de Santa Luzia, nossa Padroeira.
Mossoró, 16 de julho de 2026, na festa litúrgica de Nossa Senhora do Carmo.
Em Cristo Jesus, Bom Pastor.
Dom Francisco de Sales, O. Carm.
Bispo Diocesano de Mossoró.
