Missa celebrada no dia 12 de outubro de 2026 marcou a transferência da capela e do terreno à Diocese de Mossoró e a criação da Comunidade das Covinhas, fortalecendo uma tradição religiosa que remonta à grande seca de 1877.
A fé, a memória e a religiosidade popular marcaram um momento histórico para a comunidade das Meninas das Covinhas, no município de Rodolfo Fernandes (RN). No último dia 12 de outubro, a tradicional celebração religiosa ganhou um significado especial com a presença do bispo da Diocese de Santa Luzia de Mossoró, Dom Francisco de Sales, que presidiu a Santa Missa, concelebrada pelos padres Diogo Deveson, Anderson Monteiro e José Victor.
A celebração marcou um novo capítulo na história desse espaço de devoção popular, com a transferência da capela e do terreno à Diocese de Mossoró e a criação da Comunidade das Covinhas, que passa a contar com um Conselho Pastoral.

O momento representa um importante passo na organização da vida comunitária e no acompanhamento pastoral dos fiéis que, ao longo de gerações, mantêm viva a tradição das Meninas das Covinhas.
Mais do que um espaço de visitação e peregrinação, as Covinhas representam a força da fé de um povo que encontrou na oração e na esperança caminhos para enfrentar as adversidades da vida sertaneja.

Uma história que nasceu em meio à seca de 1877
A história das Meninas das Covinhas remonta à grande seca de 1877, uma das mais devastadoras da história do Nordeste brasileiro, responsável por provocar fome, mortes e o deslocamento de milhares de famílias em busca de sobrevivência.
Segundo a tradição oral, duas meninas que acompanhavam uma família em fuga da seca no Ceará morreram na região onde hoje está localizado o município de Rodolfo Fernandes (RN).
As pequenas sepulturas, conhecidas popularmente como covinhas, passaram a despertar a atenção dos moradores da região. Com o passar dos anos, a memória das crianças foi preservada e transmitida de geração em geração, dando origem a uma manifestação de religiosidade popular profundamente enraizada na cultura sertaneja.
O local tornou-se um espaço de oração, promessas e agradecimentos, recebendo pessoas que encontram na história das meninas uma expressão de fé e esperança.
A construção da capela e o fortalecimento da devoção
Na década de 1980, a devoção ganhou um novo capítulo com a iniciativa de Bento Honório, que, após uma promessa relacionada à recuperação de uma enfermidade, construiu uma capela no local.
A construção contribuiu para fortalecer a tradição religiosa, oferecendo aos devotos um espaço de acolhimento e oração.
Desde então, as Covinhas passaram a receber romeiros de diferentes localidades, especialmente no dia 12 de outubro, quando a presença dos fiéis ganha maior expressão.
Ao longo das décadas, o lugar tornou-se uma referência da religiosidade popular na região, reunindo histórias de promessas, graças atribuídas à devoção e testemunhos transmitidos entre familiares e moradores.
Um novo tempo de comunhão com a Igreja
A celebração presidida por Dom Francisco de Sales, no dia 12 de outubro de 2026, representa um marco na caminhada religiosa das Covinhas.
Com a transferência da capela e do terreno à Diocese de Mossoró, o espaço passa a viver uma nova etapa de organização e acompanhamento pastoral, preservando sua história e fortalecendo a vivência da fé cristã.
A criação da Comunidade das Covinhas e de seu Conselho Pastoral também representa um passo importante para a participação dos fiéis, a organização das atividades religiosas e o fortalecimento da comunhão eclesial.
A iniciativa valoriza a religiosidade popular, reconhecendo sua importância na vida do povo sertanejo e favorecendo uma caminhada de evangelização, acolhimento e formação cristã.
Uma memória de fé que atravessa gerações
A história das Meninas das Covinhas permanece viva na memória de muitas famílias que, ao longo dos anos, encontraram naquele lugar um espaço de oração e esperança.
Entre as lembranças da grande seca, as pequenas sepulturas e a capela construída pela fé de um devoto, permanece o testemunho de um povo que soube transformar sofrimento em memória, solidariedade e confiança em Deus.
Agora, com a presença e o acompanhamento da Diocese de Santa Luzia de Mossoró, a Comunidade das Covinhas inicia uma nova etapa de sua caminhada, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e integra a história religiosa e cultural do sertão potiguar.
Uma história que nasceu da dor, cresceu na fé e continua sendo escrita pela esperança de um povo.
Mais informações- Paróquia de Itaú

